Segundo casamento e enteados(as): por que é tão difícil? – Parte 2

Quando falamos em segundo casamento ou recasamento, falamos sobre um outro sistema que está sendo formado, que normalmente envolve um casal e seus filhos.

Esse sistema possui vários subsistemas. Vou explicar:

A família que está sendo constituída é um sistema – Sistema familiar.

Porém, esse sistema maior abriga outros subsistemas, que são: o casal, os filhos, a relação entre os adultos e seus filhos, a relação entre adulto e seus enteados.

São inúmeras situações que surgem e que tem como base esses sistemas e suas relações interpessoais. É muita gente, muitas histórias, personalidades, interesses, pontos de vista…Por isso é tão comum surgirem conflitos, sobretudo no caso de famílias recasadas.

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A seguir a continuação  Segundo casamento e enteados(as): por que é tão difícil? – Parte 1 dos seis maiores conflitos de uma família em um segundo casamento. Abaixo de cada item uma sugestão para amenizar essa fase adaptativa:

4) Conflitos de Lealdade – quando um dos pais casa de novo, o recasamento pode ser visto pelos filhos como uma traição para com a família que cresceram. Está envolvido nesses casos um dos sentimentos mais fortes que o filho ou filha pode ter em relação aos padrasto ou madrasta – o ressentimento.

Uma forma de não piorar essa impressão de que você roubou ou destruiu o lar deles é não se envolver na relação entre pai e filho(a). Não dizer na frente do enteado(a) coisas do tipo “Eu sei que ele é seu filho, mas ele não deveria falar com você assim” ou “Você tem que me obedecer porque a casa é minha e do seu pai”.

O melhor a se fazer, sobretudo na fase inicial com sua nova família, é deixar que o pai determine e verbalize a regra aos filhos.

Não se trata de ter medo dos enteados, mas de se colocar como adulta, entendendo que essa fase inicial também é difícil para eles e que (teoricamente) você tem mais experiência e recursos internos para lidar com os problemas do que eles (que são mais inexperientes).

5) Triângulos Rígidos- imagine um casal indo ao cinema, quando de repente a filha liga para o pai. Ele vai aproveitar esse raro momento de iniciativa da filha estendendo o assunto por quarenta minutos  ou conversará brevemente com ela, combinando de retornar a ligação depois?

Cria-se aqui uma situação de triângulo. Em uma ponta do triângulo temos o pai, na outra ponta a filha e na outra a atual esposa. Com quem esse homem vai se “aliar” ou triangular? À filha, deixando assim a atual esposa com a sensação de que tem seu espaço com o marido desrespeitado e invadido e que está sendo deixada “de lado” ou triangulará (termo em Psicologia) com a atual esposa, passando uma mensagem para a filha de que aquele momento é do casal e que precisará ser respeitado?

No caso de não se tratar de nenhuma emergência, a segunda opção seria a mais sensata. Porém, o que acontece em muitos casos é que o pai sente-se culpado e acaba agindo baseado nessa necessidade (muitas vezes não consciente) de compensar a(o) filha(o) e não fazer sofrer.

O diálogo com o parceiro é a melhor estratégia. Conversar sobre o sentimento de culpa por traz dessa situação.

Uma possibilidade interessante é que ele tenha horários para estar sozinho com essa filha(o). Demarcando que existem momentos de pai e filho e momentos que são do casal, homem/mulher.

6) Unidade versus fragmentação da nova relação do casal – em famílias originalmente constituídas o casal normalmente tem tempo para se ajustar enquanto planejam a chegada dos filhos e depois os veem crescer. Um vai se adaptando ao outro, enquanto estabelecem vínculos e formam o “DNA relacional” da família.

No caso de famílias reconstituídas isso não ocorre. O novo casal deve se ajustar às crianças ao mesmo tempo que se adaptam um ao outro.

Existem duas conquistas fundamentais para essa nova família:

Primeira- Construir um forte vínculo de casal

Segundo- Desenvolver uma relação mutuamente satisfatória entre padrasto/madrasta – enteado/enteada.

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Mas antes que possam lidar com as questões relacionadas com a construção de novas estruturas, com suas novas regras e tradições, é preciso finalizar com questões do passado. Famílias reconstituídas nascem de perdas: morte ou divórcio. Os  filhos estão feridos e com raiva. Precisam de segurança e tempo para elaborar o luto.

Por isso, é preciso paciência e respeito pelas individualidades para que, aos poucos, essa nova família construa seu próprio “DNA relacional”.

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