Celular: vilão ou mocinho na relação amorosa?

Não se trata apenas do aparelho celular, mas a internet e todas as mídias sociais tem sido cada vez mais motivo de brigas entre os casais (namorados ou casados). Você já reparou que pode gerar conflito mesmo quando se sabe que quem está no outro lado da linha não é amante ou affair? Mas por que? Afinal de contas, o que ocorre por traz (em termos conceituais) desses episódios?

Em termos de sentimentos, o que costuma acontecer é que a pessoa que está fora da conversação se sente excluída, enciumada e como a situação a projeta momentaneamente para fora da vida conjugal e a exclui, essa situação de exclusão pode ser vivida como uma traição ou quase traição.

O que acontece logo após a pessoa atender ao telefone, sobretudo em situações de lazer ou momentos que o casal “deveria” curtir a relação, é explicado por meio da Triangulação, que é um conceito em Psicologia.

Olhe para figura abaixo, que vou te explicar esse conceito à partir de uma história fictícia:

 

 

Figura 1

A­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­______________________________________________________B

 

Figura 2

Triangulação   

Rodolfo (A) saiu com sua noiva Ana (B) para uma viagem ao Litoral Catarinense. Os dois estavam na praia, curtindo o sol e tomando água de coco. Em certo momento, o telefone de Rodolfo recebe uma mensagem no whattsapp e ele inicia uma conversação com uma pessoa do trabalho no outro lado do aparelho.

É nesse momento que Ana começa a sentir raiva e fazer cara de brava. Logo depois Rodolfo coloca o aparelho de lado, mas percebe o clima tenso, que lhe gera um receio em visualizar as próximas mensagens. Porém, Rodolfo não consegue entender porque Ana se sente assim, já que não está fazendo nada de errado. Daí começa a pegar o aparelho, gerando à partir de então estresse e brigas.

Imagem relacionada

Qual o X da questão?

O que mudou foi que antes do episódio, Ana (B) se sentia pertencente na vida conjugal com Rodolfo (A). Tinha sua atenção e percebia ele voltado para relação (Figura 1). Mas no momento em que ele começa uma conversação, o whatsapp passa a ser representante da parte C do triângulo formado (Figura 2). A mídia social é apenas representante simbólica de um sentimento que provavelmente já vinha subjacente à relação.

 

Cabe perguntar a Ana:

  1. Até que ponto esse sentimento de exclusão e menos valia se amplia para outras áreas de seu relacionamento?
  2. Como você se sente quando ele estabelece essa mesma dinâmica com o futebol, amigos e até mesmo familiares?
  3. Esse sentimento de rejeição é familiar para você? Algo que lhe acompanha desde a infância, por exemplo?
  4. É possível que tais sentimentos (que habitam em você a tanto tempo) possam distorcer tudo que as pessoas (em geral) tem a lhe oferecer – em termos de carinho e atenção?

 

Cabe perguntar ao Rodolfo?

  1. Você consegue estabelecer com facilidade o que é importante responder, daquilo que pode ser deixado para depois?
  2. Ou acredita, por exemplo, que se não responder tudo na hora será excluído dos grupos e rodas sociais?
  3. A ânsia por responder é realmente necessidade ou fruto de uma insegurança?

 

Essas situações em que os triângulos acontecem são comuns em toda e qualquer relação humana (casais, famílias, amigos, ambiente de trabalho). Em uma equipe de trabalho, por exemplo, membros de uma equipe podem triangular e estabelecer uma espécie de “rincha” em relação aos superiores ou outros membros da própria equipe. Nesse exemplo, o lado A do triângulo poderia ser o chefe, o lado B seria os gerentes (que estabelecem uma relação harmoniosa com A) e o lado C a equipe que sente-se excluída. Se a equipe for emocionalmente disfuncional poderá, inclusive, “boicotar” a liderança.

Mas voltando à esfera dos relacionamentos amorosos, ninguém gosta de se sentir excluído. Porém, quanto mais saudável psiquicamente a pessoa está, mais ela conseguirá viver tranquila com o fato de que nem sempre estará em “primeiro plano”. Fica mais fácil também perceber quando efetivamente está sendo colocada de lado na relação conjugal e quando a situação é apenas circunstancial, pois sabe que no geral é amada e valorizada pelo outro.

Para finalizar, respondendo ao título do post “Celular: vilão ou mocinho na relação amorosa? Minha resposta é depende.

Dependerá do uso que se faz dele, pois servirá tanto para criar brigas, como para favorecer a comunicação e  a cumplicidade na relação, em especial nos grandes centros urbanos, em que o contato direto não se produz de forma fácil.

No próximo vídeo vou dar dicas para o casal, quanto ao uso do celular e mídias sociais. Até lá!

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